Ítalo Ferreira vence em Peniche, toma a lycra amarela de Medina, e esquenta a briga pelo título

Em dia inspirado, o potiguar foi bicampeão em Peniche com direito à nota 10 na final contra Jordy Smith. Com o resultado, Ítalo assume a liderança do ranking e a decisão vai para a última etapa do ano, no Hawaii, com 3 brasileiros fortes na briga

A penúltima etapa da Liga Mundial de Surf, conheceu seu vencedor nesse sábado, com Ítalo Ferreira levantado a taça pela segunda vez seguida em terras portuguesas. E se o mar não havia ajudado muito nas primeiras fases, parece que o “melhor” ficou para o final. Claro, dentro das limitações do pico, que geralmente não faz jus ao nome “Supertubos”. As ondas raramente oferecem mais de duas manobras, e dificilmente rolam os tão esperados tubos. Mesmo assim, o último dia de competição foi bem divertido, principalmente para quem gosta de aéreos.


Nas finais, representando o Brasil, tínhamos: Filipe Toledo, Peterson Crisanto, Caio Ibelli e Ítalo Ferreira, contra outros 3 postulantes ao título: Jordy Smith, Kolohe Andino e Kanoa Igarashi. O australiano Jack Freestone completou a lista dos 8 atletas nas quartas de final.


A primeira bateria do dia das finais, foi a que ia definir o "gringo" que iria estar na briga pelo título mundial de 2019 junto dos brasileiros, em Pipeline. Jordy Smith mais uma vez mostrou sua consistência e apesar de não fazer atuações excepcionais, mostrou que sempre é um cara perigoso de se enfrentar. Despachou Kolohe Andino em atuação segura e se consolidou como forte candidato à briga (e zebra né galera?) para a etapa do Hawaii, chegando com boas chances mesmo sem ter vencido nenhuma etapa no ano.


Já entre os brasileiros, Filipe Toledo foi o primeiro a entrar na água e, mais uma vez, perdeu uma boa oportunidade de sair até como líder em Portugal, com mais chances de disputar o título em Pipeline.

Não sei como está a lesão em suas costas, mas as condições desse sábado, lhe favoreciam muito, com muitas oportunidades de aéreos. Apesar disso, Filipe errou mais do que o normal, e ainda deixou passar uma onda nos segundos finais de bateria para Kanoa Igarashi, sendo que tinha prioridade. Nessa onda, Toledo poderia ter arriscado um full rotation que poderia ter lhe dado a vitória. Resultado ruim para Toledo, que caiu para a quarta posição no ranking e ainda viu sua vaga nas olimpíadas ficar fortemente ameaçada, já que sabemos que seu retrospecto em Pipeline não é dos melhores.


Caio Ibelli, que foi alvo de perseguição nas redes sociais essa semana, depois da polêmica bateria com Gabriel Medina, passou apertado pelo paranaense Peterson Crisanto, que chegou na vigésima segunda e última posição que classifica ao Ct ano que vêm. Já Caio, com a semifinal, garantiu sua vaga na elite no ano que vem!


Falando em bateria polêmica, ainda acho muito duvidosa a questão da prioridade envolvendo Medina e Caio. As explicações da WSL através de vídeos editados e com zoom, não foram suficientes para se tomar uma conclusão definitiva de quem tinha prioridade no momento da interferência. Medina achou que tinha a prioridade por ter terminado sua onda primeiro e ter chegado no outside antes que Caio, e esse, foi de acordo com a sinalização dos juízes no palanque. Uma coisa é certa, Ibelli nada tinha a ver com a situação, seguindo apenas o que havia disso determinado pelo juiz de prioridade, e não merecia tal perseguição dos fãs fanáticos.


Quanto a Medina, que postou um vídeo nas redes sociais, onde no meu entender, ele realmente chega primeiro no outside, fica a lição de se orientar através da sinalização do palanque antes de partir para uma onda, ainda mais com disputa de título em jogo. Mas de qualquer forma, somos a favor desse debate não acabar por aqui, não da decisão em si, mas do uso da tecnologia para esse tipo de definição que resulta em casos como o visto. Muitas vezes vemos a placa de prioridade demorando para ser alterada, e o fato de não ter uma imagem de ângulo aberto (provavelmente por não existir) mostra a falta de preparo e amadorismo nessas questões de uma liga mundial de surf.


Voltando às quartas de final, vamos falar do embalado Ítalo Ferreira! O potiguar fez uma bateria épica contra o australiano Jack Freestone. Ambos deram um show de aéreos, como era esperado! Pior para o aussie, já que nesse quesito, Ferreira é um dos melhores do mundo e fica difícil competir contra o brasileiro.

Já nas semifinais, outro confronto brasileiro, mais uma vez com Caio Ibelli envolvido, que parece gostar de confrontos “caseiros”, onde costuma se superar., mas dessa vez, não tinha o que fazer contra o embalado Ítalo, que mostrou seu aéreo full rotation afiado, além das batidas de backside com muita pressão, jogando água para todos os lados. Na final, Ítalo enfrentou o sul africano Jordy Smith, num confronto decisivo para o título. O brasileiro já começou a bateria completando um aéreo absurdo de backside, com muita altura e rotação completa, caindo em cima da sessão que se fechava. Resultado: única nota 10 do evento! Ainda houve tempo de Ferreira completar um áreo varial, sacramentando a vitória.

Após Portugal, a lycra amarela agora tem novo dono! Ítalo vai para o Havaí como líder, embalado e com chances como nunca teve de conquistar seu primeiro título mundial! Se isso vai acontecer de fato, só saberemos mais para frente. Ainda acho Medina o favorito devido seu retrospecto em Pipeline, mas não podemos descartar Jordy Smith, que evoluiu bastante em ondas desse calibre, e Ítalo, que também vem em constante evolução nos tubos, mas precisa aprimorar seu posicionamento e conhecimento nas ondas do pico havaiano. Filipe Toledo ainda tem boas chances matematicamente falando, dependendo só dele para o título! Apesar disso, não vem de excelentes resultados e não é tão forte no Hawaii, ainda mais com sua lesão nas costas o que pode ser determinante nessa corrida do título.


Confira as probabilidades e combinações para que cada candidato ao título mundial de surf 2019 se tornar campeão:


Ítalo Ferreira Campeão Mundial 2019:

- Se vencer a etapa de Pipeline;

- Se terminar em 2º e nem Gabriel Medina, nem Filipe Toledo vencerem Pipeline;

- Se terminar em 3º, Gabriel Medina não pode chegar à semi, e Filipe Toledo ou Jordy Smith não podem vencer em Pipeline;

- Se terminar em 5º, Gabriel Medina não pode chegar à semi, Jordy Smith não pode vencer em Pipeline e Filipe Toledo não pode chegar à final;

- Se terminar em 9º, Gabriel Medina não pode chegar às oitavas, Filipe Toledo não pode chegar às quartas e Jordy Smith não pode chegar à final.


Gabriel Medina Campeão Mundial 2019:

- Se vencer a etapa de Pipeline;

- Se terminar em 2º, Ítalo Ferreira, Filipe Toledo ou Jordy Smith não podem vencer em Pipeline;

- Se terminar em 3º, Ítalo Ferreira não pode chegar à semi, Filipe Toledo não pode chegar à final e Jordy Smith não pode ser campeão;

- Se terminar em 5º, Ítalo Ferreira não pode chegar às quartas, Filipe Toledo e Jordy Smith não podem chegar às semis;

- Se terminar em 9º, Ítalo Ferreira não pode chegar às oitavas, Filipe Toledo não pode chegar às quartas e Jordy Smith não pode chegar à semi.


Filipe Toledo Campeão Mundial 2019:

- Se vencer a etapa de Pipeline;

- Se terminar em 2º, Ítalo Ferreira não pode chegar as semis, Gabriel Medina ou Jordy Smith não podem vencer em Pipeline;

- Se terminar em 3º, Ítalo Ferreira não pode chegar às quartas, Gabriel Medina e Jordy Smith não podem chegar às semis;

- Se terminar em 5º, Ítalo Ferreira não pode chegar às oitavas, Gabriel Medina não pode chegar às quartas e Jordy Smith não podem chegar às semis;


Jordy Smith Campeão Mundial 2019:

- Se vencer a etapa de Pipeline, Ítalo Ferreira não pode chegar à final;

- Se terminar em 2º, Ítalo Ferreira não pode chegar às quartas, Gabriel Medina não pode chegar às semis e Filipe Toledo não pode chegar à final;

- Se terminar em 3º, Ítalo Ferreira não pode chegar às oitavas, Gabriel Medina não pode chegar às quartas e Filipe Toledo não podem chegar às semis;

- Se terminar em 5º, Ítalo Ferreira não pode avançar do round 2, Gabriel Medina não pode chegar às oitavas e Filipe Toledo não podem chegar às quartas;

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Como vocês podem ver, a diferença de pontos entre os quatro primeiros é bem apertada e qualquer bateria vencida em Pipeline conta como uma final para os candidatos ao título! Tudo pode acontecer na mítica bancada havaiana, prometendo ser uma das decisões mais emocionantes dos últimos tempos, e como fator extra pra apimentar a etapa, há forte indícios do retorno de John John Florence, motivado à garantir sua vaga olímpica e podendo dificultar a vida dos postulantes ao título mundial que cruzarem seu caminho! E aí, em quem você coloca suas fichas para levar o título mundial de 2019?

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Autor: Ricardo Roldan (@resenhadosurf_)

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