• Thamyris Ferreira

A Primeira Fotógrafa mulher à entrar na temida onda gigante de JAWS pelas pedras é brasileira

Na semana passada a filmmaker brasileira Yana Vaz parou a internet e mostrou que essa historia de ‘sexo frágil’ nunca existiu e que as mulheres não apenas estão conquistando seu espaço mas também quebrando barreiras, se desafiando e tendo destaque com suas conquistas no mundo do surf. Yana foi a primeira mulher filmmaker a entrar em Jaws na remada, pelas pedras, só com o seu bodyboard e caixa estanque nas costas.

Antes de mais nada, vamos dar uma pequena dimensão pra você do que é esse feito. A onda de Jaws, é considerada uma das mais perigosas do mundo (inclusive eleita a top 4 mais assustadora do mundo, segundo uma matéria feita aqui no Canal Surf Storm).

Yana Vaz entrando pelas pedras com a câmera em JAWS

‘Há muito tempo to querendo ver essas ondas da água, apesar de tanto trabalho bom, nunca tive a oportunidade de ser chamada para trabalhar aqui. Por um desafio a mim mesma, resolvi fazer tudo sozinha e após h esperando uma calmaria para entrar, consegui. Sem isso agente não prova o que faz, e o que passa. Eu fiz esta aventura para realizar meu sonho, e os anjos no caminhos ajudam (...) Mas o machismo predomina, quando vale o esforço para chegar até lá ?! ... na opinião de alguns brasileiros e lá ver que tenho ajuda, mas não querem me dar, não importa o que eu passo para filmar famosos do surf e quantas vezes salvei eles com minhas imagens...'

Yana continuou e agradeceu à equipe de Felipe Cesarano, ao fotógrafo Lucca Biot pelo registro dela entrando pelas pedras (a primeira mulher a entrar por ali em Jaws com uma câmera) e claro, disse o porque isso vale tanto a pena, além de cutucar as marcas e falta de apoio no mundo do surf:

'(...) Agradeço ao melhor fotógrafo da nova geração na minha opinião @luccabiot por estar atento a mim e registrar com celular a primeira mulher a entrar e sair pelas pedras com câmera em Jaws. (...) O que vale mesmo seu foco, é o Kai Lenny e seu rescue me cumprimentando pelo feito, acordar com 20 mensagens de parabéns de vocês não tem preço! É o que me faz seguir, mesmo sabendo que nunca terei SUPORTE pois as marcas não ajudam você a fazer o que eles mais precisam, conteúdo, eles se ajudam com contas de famosos, nossa triste realidade para fotógrafos e surfistas.'

Maravilhosa, não é?

Yana e Claudinha na Laje de Jaconé em 2019

Quase ninguém sabe, mas Yana foi a primeira pessoa que entrevistei aqui para o a coluna do #CrowdFlorido, quando ela e Claudinha Gonçalves encararam a laje de Jaconé em 2019 e brilharam juntas com Yana fotografando e Claudinha em um tubo de respeito no slab da lage. Ela é uma mulher que eu admiro demais pelo trabalho incrível, mas mais ainda pela sua garra e sua personalidade, então decidi colocar uns trechos aqui embaixo da entrevista do ano passado.


Yana então me falou sobre o preconceito no universo do surf, que apesar de estar diminuindo, continua infelizmente marcando presença:

‘Sofremos preconceito sim, sofremos muito por ser mulher mas as coisas estão mudando. Dê uns 3 meses para cá principalmente após o ocorrido com a surfista Tina estão tendo um olhar mais respeitoso com as mulheres até porque ninguém quer ficar com a fama de ser um cara machista , babaca nos dias de hoje porque discrimina uma mulher dentro da água. Sempre existiu o preconceito e machismo disfarçado de gentileza aquelas frases de: “o que ela tá fazendo nesse mar ?”, “ela vai se matar”, “o mar tá perigoso para você”... É um meio bem doloroso se a gente não estiver preparada, dá um pouco de vontade de desistir mas ao mesmo tempo que esse tipo de coisa acontece, muitas coisas boas acontecem em troca então apesar de ter muito para falar do machismo eu não gosto de ficar reclamando prefiro agradecer as oportunidades.'

Conforme ia escutando as histórias vividas por ela, sua rotina de trabalho, sua história de vida, difícil era não querer saber como era a preparação para esse rotina casca grossa que que ela leva mas que dá pra ver no olhar que faz ela feliz então nada mais justo do que perguntar como era o seu treino:

‘Minha rotina é natação e corrida todos os dias, faço também uma natação prosurf ( que é um mix de natação, com apneia, e simulações de vacas com apneia sem ar) que foi onde obtive o psicológico confiável sabendo que aguentava ficar um tanto tempo embaixo da água, Porque uma coisa é você treinar, outra é você confiar no seu preparo físico na situação quando a situação fica extrema. O problema é o pânico, você não pode deixar ele chegar em você. Milhões de coisas podem acontecer nesse tipo de mar, você precisa conhecer seu equipamento, saber que tipo de colete você vai usar, e se vai usar, conhecer as técnicas e aperfeiçoar com o dia a dia.'

Finalizo perguntando sobre as metas dessa mulher inspiradora e ela me responde simples assim:

‘Nazaré. Estou indo para um temporada em Puerto Escondido agora em maio (2019 na época), que é um local que me sinto bem íntima pois já era um lugar que surfava antes. Já fotografei em Puerto de dentro da água mas é um local bem perigoso, difícil de fazer imagem, uma amiga Maria Fernanda rompeu os ligamentos do joelho lá tentando conquistar o espaço das fotógrafas aquáticas. Acho que nós mulheres às vezes temos nossos feitos tão abafados que precisamos fazer essas proezas para tentar ser reconhecidas como a Sasha que entra em Mavericks para fotografar de dentro da água, com tubarões brancos, ondas gigantes e água congelando. Mas com certeza Nazaré de dentro da água no jetski e com muito preparo para estar pronta se algo sair fora do planejado.’

E foi assim que foi, cheio de inspiração, histórias boas e bate papo fluido com Yana Vaz.


Viva o surf feminino e ficamos na espera de mais histórias inspiradoras como essa.


Quebra tudo Yana, você sabe que te admiro demais. :)


74 visualizações
Untitled

 Canal Surf Storm ©2020

  • Facebook Social Icon
  • Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon