Atletas se unem e fazem petição contra WSL e o "corte" no meio da temporada

Entenda a polêmica entre surfistas e WSL em torno do corte no meio da temporada que vem agitando os bastidores de Bells Beach


Em plena etapa do Rip-Curl Pro Bells Beach, na Austrália, a polêmica em torno do corte no meio da temporada está dando o que falar. O novo corte anunciado pela WSL no ano passado, reduzindo o número de atletas por etapa de 36 para 24 no circuito masculino e de 18 para 12 no feminino no meio da temporada. Para os atletas masculinos e femininos eliminados pelo corte após a próxima etapas em Margareth River, isso significaria participar das etapas qualificatórias do Challenger Series como uma oportunidade de se re-qualificar para a competição principal.


Uma das razões da polêmica é que o "corte" foi introduzido com o intuito de garantir que as melhores condições de swell seriam aproveitadas pelos atletas em localizações críticas como J-Bay (Baía de Jeffreys - África do Sul) e G-Land (Grajagan - Indonésia), mas se sabe que um dos grande motivadores para a nova regra, é a valorização do novo formato de acesso "Challenger Series", que consite em um conjunto de oito eventos organizados para os atletas mostrem o seu talento e disputem por um lugar no campeonato de 2023. Nesse formatos, atletas eliminados pelo corte e atletas do QS disputariam juntos por uma posição no evento principal, e para a WSL é super atrativo ter atletas de nivel CT competindo nesse novo circuito da Divisão de Acesso.


Contra essa nova definição, um grupo de 30 surfistas enviou, nesta quinta-feira (14), uma petição para a WSL exigindo o fim do corte e a garantia de que todos os atletas qualificados poderiam participar de todas as próximas etapas da competição, segundo apuração feita pelo repórter Renato de Alexandrino, em matéria do OGlobo. Os atletas alegam que a eliminação da competição acarreta em consequências financeiras devido não só a perda de patrocínio para o resto da temporada, mas também à falta de oportunidade de concorrer aos prêmios em dinheiro oferecidos ao pódio, que podem chegar a US$100 mil por etapa.


Segundo a matéria, o CEO da WSL Eric Logan já se manifestou contra a petição, alegando que o regulamento foi alterado após muitos estudos e considerações e com o intuito final de trazer benefícios ao esporte. De acordo com a Liga, o Challenger Series, combinado com o novo corte, garante novas oportunidades a atletas do mundo inteiro e pressiona a nova e antiga geração do surfe a alcançar a sua melhor performance para efetivamente garantir o seu lugar na competição de elite.


Apesar de afirmar que a mudança no regulamento não é uma opção, a WSL convidou os atletas para se reunirem na noite desta quinta (14) em Bells Beach, para discutir o assunto. Não havendo mudança do regulamento, atletas como João Chianca, da nova geração do surfe brasileiro, e Stephanie Gilmore, australiana sete vezes campeã mundial, poderão ficar de fora com o novo corte e deverão buscar novamente o seu "lugar ao sol" disputando o Challenger Series, previsto para ser iniciado já em maio, com a sua primeira etapa também na Austrália. Além disso, ainda está no ar como serão tratados os casos de atletas afastados ou lesionados como Gabriel Medina e Yoga Doria com o corte. Essas questões ainda não foram endereçadas pela WSL e contribuem para a polêmica.


E você? O que pensa sobre o polêmico "mid-season cut"?



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