Filipe Toledo é campeão do CT de Saquarema e acirra briga pelo título mundial de surf de 2019

Etapa do Mundial de Surf em Saquarema mais uma vez encanta, com show de surf, torcida e briga acirrada pelo título mundial de surf, que conta ainda com lesão do líder John John Florence. Com a vitória, Filipe Toledo iguala recorde de maior vencedor da etapa do Brasil na história.

A temporada da Liga Mundial de Surf chegou em Saquarema em meio ao feriadão, e não podia ter tido um roteiro melhor: Casa cheia e vitória brasileira! Filipe Toledo se sagrou campeão vencendo o sul africano Jordy Smith na final em um domingo ensolarado e com praia lotada! Com o resultado, Toledo é tricampeão da etapa do Brasil e se torna o maior brasileiro da história à vencer a etapa, igualando o recorde de maior vencedor da etapa brasileira junto com o australiano Dave Macaulay.

O final pode ter sido de cinema, mas nem tudo são flores! Vamos voltar ao começo da etapa e falar das trapalhadas da organização da WSL. Após a janela abrir no dia 20 (quinta-feira) com boas ondas em Itaúna, o mar reagiu forte, como previsto, no dia seguinte e trouxe fortes ventos junto do swell. Com isso, as condições estavam horrorosas para Itaúna, mas mesmo assim a organização insistiu em forçar o campeonato para concluir no domingo durante o feriado. O pior foi que, principalmente na parte da tarde, já estavam rolando altas ondas na Barrinha, e a organização optou em continuar no point de Itaúna, com condições muito complicadas.


No Sábado a escolha foi ainda pior! Na parte da manhã ainda haviam ótimas condições de surf na Barrinha, e o evento só foi transferido para o palco na parte da tarde. Não fazia sentido a decisão, tanto que a torcida estava em peso na Barrinha, assistindo o free surf rolar solto com ondas de nível internacional. Enquanto o campeonato rolava em mar balançado em Itaúna, atletas e surfistas locais davam show em frente ao palco alternativo, que encontraram condições épicas com ondas de até 3 metros na Barrinha e deram um verdadeiro espetáculo à parte! Se liga por exemplo em Kelly Slater botando pra baixo com estilo no vídeo da Altas Produções!


Enfim, apesar dos erros da WSL, a partir de Sábado, quando foi para a Barrinha, o evento cresceu em qualidade de ondas e de performance dos surfistas e ofuscou esses erros da organização. Em relação à performance da tempestade brasileira, que no campeonato contava com 14 atletas, podemos dizer que pelo menos poderíamos ter colocado mais surfistas nas quartas de final. Estavam em casa, com torcida em peso, e são conhecedores do pico desde as competições de base. Alguns atletas em especial decepcionaram ainda mais, como os casos de Ítalo Ferreira e Yago Dora.


Ítalo estava em terceiro do ranking e tinha tudo para fazer um bom resultado e se aproximar do líder John John Florence. Porém, mais uma vez, vimos um competidor que é capaz de perder baterias com muita facilidade. A mesma facilidade que tem de dominar um campeonato inteiro com performances acima da média. Ou seja, o potiguar ainda peca muito pela irregularidade, sendo difícil desta forma apontá-lo como candidato ao título, pelo menos, neste momento. Claro que pode evoluir, e dá para perceber em suas entrevistas, que ele tem ciência do que lhe falta, o que é mais importante. Enfim, uma pena esse resultado, foram pontos importantes perdidos que o fizeram descer 2 posições.


Já Yago Dora, que fez ótimas apresentações nos dois últimos anos em Saquarema, e que fez uma ótima bateria no primeiro round. Acabou decepcionando e se despedindo cedo da competição. Também tivemos bons resultados de Michael Rodrigues, Deivid Silva e Jessé Mendes, que conseguiram chegar nas oitavas de final. Deivid empolgou com sua performance no terceiro round, mas não conseguiu manter o nível no round seguinte. Jessé teve boas apresentações e poderia ter vencido o australiano Julian Wilson. Acabou pecando mais uma vez no quesito “saber competir”.


O atual campeão mundial, Gabriel Medina, chegou até as quartas de final e continua sem vencer um evento do CT no Brasil. Ele bem que tentou contra o vice-líder da temporada, o americano Kolohe Andino, mas acabou perdendo no detalhe. Seu adversário encontrou uma boa onda que proporcionou uma batida e um aéreo nos momentos finais da bateria, em um momento difícil do mar, em que as ondas estavam fechando bastante e no máximo ofereciam uma manobra. Medina vinha competindo muito bem, sabendo usar a prioridade, mas o surf tem dessas. Sabemos que o bicampeão cresce da metade da temporada para o final e as duas próximas competições devem definir se ele entra ou não na disputa pelo título.


Uma curiosidade, foi que ao final da etapa, Medina fez um desabafo, falando da injustiça que é o Circuito Mundial ter muito mais direitas do que esquerdas, beneficiando os surfistas regulares (que surfam com o pé direito atrás) frente aos goofys, caso de Medina.

Outro fato que não podemos deixar de mencionar e que marcou a etapa de Saquarema, foi a infelicidade de John John Florence, que abandonou sua bateria nas oitavas de final contra Wade Carmichael, depois de sentir o joelho que havia lesionado no ano passado, após cair de uma tentativa de aéreo. Mesmo saindo da bateria em disputa, ainda conseguiu se classificar para as quartas, mas não voltou a competir, temendo agravar sua lesão. John John, que lidera o ranking pode ficar de fora da etapa de Jeffreys Bay, mas ainda não há um laudo oficial sobre a gravidade da lesão e quando voltará à competir. Vamos torcer para não ser nada grave com o havaiano, afinal, somos adeptos do "que vença o melhor".


Apesar disso, não podemos negar que a lesão acirra a briga pelo título, melhor pro bicampeão em Saquarema, Filipe Toledo, que está em terceiro (colado no americano Kolohe Andino) e sem dúvida foi o melhor surfista do campeonato. No total ele tem 3 conquistas no Brasil. Teve ótimas médias de pontuação, e mostrou que está vivo na briga pelo seu primeiro título mundial, principalmente após a lesão de John John. Claro que ainda é cedo, mas a briga pelo título mundial de 2019 está novamente aberta!


Enfim, Filipinho deu show de tubos, aéreos e rasgadas absurdas na parte crítica das ondas. Também deu o troco na lenda Kelly Slater, de quem havia perdido em Keramas, fazendo a melhor bateria da competição, na minha opinião. Toledo mostrou mais uma vez que tem uma ótima conexão com o público brasileiro, sabendo usar muito bem isso a seu favor. Na final não deu chances para o sulafricano Jordy Smith (agora quarto colocado na cola de Filipe), o deixando precisando de uma combinação para virar desde o começo da bateria. Jordy também foi outro surfista que se destacou em Saquarema, e chegou à final com muito mérito! Justo o resultado de 2º lugar e a vaga no TOP 5 que o coloca na briga pelo título!


A próxima parada do tour será em Jefrey´s Bay, na África do Sul, onde Filipe é bicampeão. Muita coisa pode ser definida em terras africanas, principalmente, se o havaiano John John não conseguir competir. Até lá!


Autor: Ricardo Roldan - Resenha do Surf

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