Gabriel Medina é campeão da etapa de J-bay em final inédita de brasileiros

Medina venceu o também brasileiro Ítalo Ferreira numa final inédita de goofy footers nas perfeitas direitas de Jeffreys Bay. Com a vitória, Medina quebrou o tabu de 35 anos sem um goofy campeão em Jeffreys e se tornou o 2º brasileiro a ser campeão da etapa

A buzina tocou e a 6ª etapa da temporada chegou ao final em Jeffreys Bay, e mais uma vez, o Brasil saiu vencedor. São 3 vitórias brasileiras até agora no ano. Ainda não temos o líder da temporada, mas acredito ser só uma questão de tempo. Jbay não decepcionou e tivemos outro evento épico no que considero uma das melhores direitas do mundo (senão a melhor). Se as ondas não colaboraram no início da janela, o melhor foi guardado para o dia das finais, que falaremos mais para frente.


O campeonato começou com ondas medianas, e dos brasileiros, apenas Jadson André e Jessé Mendes não conseguiram avançar para a terceira fase. Veio o round 32, e Yago Dora, Adriano de Souza, Michael Rodrigues e Caio Ibelli ficaram pelo caminho. Jessé, Yago e Adriano de Souza, estão fora da zona de classificação para a elite do ano que vem, e precisam de bons resultados daqui para frente. Por enquanto, Jadson vai se garantindo pelo ranking do Qs, onde tem a liderança.


Após vários dias sem ondas, tivemos as oitavas de final, onde além do trio Medina, Ítalo e Toledo, marcaram presença também Willian Cardoso, Peterson Crisanto e Deivid Silva.


Entre esses, destaque para Deivid, que vinha de boas apresentações com batidas muito fortes e sempre no crítico da onda. Parou numa bateria bem disputada contra o americano, atual líder do ranking, Kolohe Andino, no que pode ter sido a maior "polêmica" da etapa, na minha opinião (e de muitos), Deivid levou esta bateria, com manobras com muito mais pressão nas ondas, mas os juízes pesaram para o lado do norte americano, De qualquer forma, Deivid vem tendo ótimos resultados para o seu primeiro ano na elite, venceu o QS mais importante do ano, o Ballito Pro (pouco antes de Jbay) e mostrou que não é um adversário fácil de ser batido. Torcemos para que cresça no tour nos próximos anos!

Chegaram então as tão esperadas finais! Então, nas quartas, mais uma vez, o trio brasileiro não decepcionou, parece que eles estão há um level acima dos demais, num degrau que poucos no surf atual estão presentes. No melhor dia de ondas do evento, os tubos também mostraram as caras. E aí, Medina começou a crescer também. Nas quartas, Medina fez sua melhor nota no evento (até então) saindo de um tubo praticamente fechado e eliminou o australiano Owen Wrigth.


Filipe também usou um belo tubo para sacramentar a sua vitória nas quartas, numa difícil bateria contra Sebastian Zietz. Já Ítalo eliminou Kanoa Igarashi, que era um dos melhores do evento até então e já antecipou que veríamos uma daquelas baterias de arrepiar entre ele e Toledo.


Então chegaram as semifinais, já com Brasil garantido na final e com o show de surf aumentando cada vez mais. Medina soube competir contra o agora líder da temporada Kolohe Andino, assegurando sua vaga na final. O brasileiro usou de suas batidas verticais, floaters gigantes e boas finalizações nas junções. É isso, cresceu na competição e já estava na final.


O outro confronto das semifinais foi verde e amerela, e colocou frente a frente, o melhor surfista do campeonato Filipe Toledo, e Ítalo Ferreira, que teve um ótimo desempenho ao longo da competição, numa etapa em que não costuma ter um bom retrospecto. Foi uma bateria explosiva, com os dois atingindo a marca igual ou supeior a 9, em suas melhores notas.


Melhor para Ítalo, que teve uma segunda nota na casa do excelente, agredindo sem medo as junções em ondas grandes e jogando muito água em suas batidas e rasgadas. ,Após a bateria, muito respeito entre os dois fora d'agua, foi de arrepiar e mostrou como estamos bem representados no esporte com esses caras.

Chegou então a grande final, e que final! Tanto pelo desempenho dos dois atletas que estavam lá, tanto pelo significado de ter 2 goofy footers presentes. Desde 1984, quando Mark Occhilupo ganhou o evento, um goofy não vencia em Jbay.


Os brasileiros deram um show, numa final épica! Ítalo continuou com seu ritmo alucinante, mas o “Medina Time” apareceu. Nessas situações, o bicampeão cresce muito e fez a maior somatória do campeonato. Praticamente fazendo a bateria perfeita, Gabriel chegou próximo dos 20 pontos possíveis, com notas 9,73 e 9,77 e não deu chances a Ítalo que somou as notas 9,0 e 7,67. Muito sangue frio, já que a segunda nota do Medina veio na parte final da bateria, onde com o 9,77 ele virou deixando Ítalo em combinação mesmo com uma nota excelente na média. Uma final inédita de goofys, em alto nível, num campeonato lotado de direitas? Não é pra qualquer um, sorte que os dois melhores backsiders do mundo são brasileiros.

Medina vence sua primeira etapa na temporada, chegando na parte do tour em que mais cresce na competição, o segundo semestre, na sétima posição.

Ítalo Ferreira está em quarto (3º se contar que John John está na sua frente e não deve competir mais este ano) e Filipe Toledo é o brasileiro melhor colocado, ocupando a segunda posição, há menos de 600 pontos atrás do atual líder Kolohe Andino. Kolohe vai com a camiseta amarela para a próxima etapa do tour, em Teahupoo, no Taiti, onde desde 2016 ele sempre passou para as quartas de final.


Mas no final, sabemos bem quem é o atual campeão da etapa e grande favorito, não é mesmo?

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Autor: Ricardo Roldan - Resenha do Surf

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