Ítalo Ferreira vence a etapa de Gold Coast e começa bem o Mundial de 2019 - Resenha Pós CT

A tempestade continua! Ítalo Ferreira e a Brazilian Storm são novamente destaque e dessa vez, começam o ano vencendo a etapa de Gold Coast pela 3ª vez na história do surf brasileiro. Ítalo começa liderando o ranking e já mostra que vai brigar pelo título mundial em 2019.

Ítalo Ferreira vence a etapa de Gold Coast 2019 e lidera o ranking do Mundial de Surf

A primeira e tão aguardada etapa da liga mundial de surf chegou ao fim neste domingo, e sem surpresas! Mais uma vez um brasileiro levantou a taça e começamos o ano, como terminamos. São 10 brasileiros campeões nas últimas 11 etapas que rolaram no Circuito Mundial de Surf.


Dessa vez foi Ítalo Ferreira, que se juntou a Gabriel Medina e Filipe Toledo como os brasileiros que já venceram na tradicional Gold Coast.

O campeonato que deveria ser realizado nas diretas de Snapper Rocks, foi transferido para o pico ao lado, Duranbah, que é um beach break onde quebram direitas e esquerdas. Os bancos de areia de Snapper foram prejudicados pelos ciclones que atingem à costa nessa época do ano, prejudicando a formação das ondas. O segundo e terceiro dia de competição foram bem divertidos, com ondas proporcionando aéreos e manobras, tanto nas direitas como nas esquerdas. Aí veio uma decisão polêmica da WSL, que decidiu tentar realizar o dia das finais em Snapper Rocks, sendo que lá as ondas estavam pequenas e em Durunbah, estavam muito melhores. Não conseguiram fazer a final onde queriam e tiveram que realizar com condições piores em Dbah no dia posterior.

Resultado: a final foi praticamente um campeonato de aéreos (Melhor para Ítalo Ferreira, que já havia vencido o Red Bull Airbone - campeonato de aéreos - em Dbah dias antes)!

Quanto a performance dos brasileiros, primeiro vou falar sobre a surpresa negativa: Jadson André. O potiguar que vinha de uma campanha fantástica no QS, com três finais seguidas, não chegou nem perto no seu desempenho na etapa de Gold Coast. Jaddy tem como forte as performances em beach breaks, e deixou a desejar numa etapa em que poderia ir longe. Será que o CT o afeta negativamente? Seria nervosismo? Com a vaga quase garantida pelo ranking do QS em 2020, vamos torcer para que a confiança do cara volte e possa vir a brigar em 2019, talento tem de sobra!


Os novatos Deivid Silva e Peterson Rosa, tiveram boas performances na repescagem do segundo round, mas não a repetiram no round 3. Os dois tem muito a evoluir e, ganhando experiência no CT, com certeza vão desempenhar um bom papel no restante do ano.


Jessé Mendes, sempre dá a impressão que faltou um pouco mais dele. É um atleta que sabe mandar muito bem nos aéreos, mas raramente os executa. Um pouco mais de ação na bateria também lhe faria bem. Michael Rodrigues teve um bom desempenho no primeiro round, mas não o repetiu no terceiro contra Willian Cardoso. Panda aliás, faz muito bem o seu “feijão com arroz”. Usa muito bem suas rasgadas e batidas com muita pressão!


Já o wildcard Caio Ibelli não encaixou seu surfe nas ondas de Duranbah, sendo eliminado logo no segundo round. Caio tem que aproveitar estas etapas em que é convidado, para tentar se garantir na elite ano que vem! Próxima etapa, em Bells beach, favorece muito seu estilo, vamos ver se volta a ser o Caio Ibelli que estava voando em 2017.

Yago Dora icou em 3 no Red Bull Airbone em Dbah!

Yago Dora, como sempre muito perigoso quando o mar oferece esquerdas, só parou no bicampeão Medina, e mesmo assim, numa bateria muito acirrada. Dora tem tudo para evoluir ainda mais esse ano, e tem chances sim, de almejar até um Top 10! O garoto é uma promessa do surf brasileiro, tem somente 22 anos de idade e já evoluiu muito em 2018, aprendendo a ser mais competitivo, já que surf no pé não falta! Yago também ficou em 3º no torneio de aéreos paralelo que rolou à etapa, o Red Bull Airbone, o que mostra que é um dos melhores aerialistas da atualidade.

Filipe Toledo é eliminado por John John Florence nas oitavas

Filipe Toledo não chegou a demonstrar todo seu talento, que é gigantesco, e pareceu por muitas vezes estar um puco perdido no mar. As condições estavam difíceis sim, mas estavam para todos. Acabou esperando demais ondas de boa qualidade em condições de mar inconsistente, não acho que seja a melhor tática neste cenário. Acabou perdendo nas oitavas de final para o havaiano John John Florence, que voltou com tudo e chegou até a semifinal! Olho nele, o cara pode voltar a dar trabalho aos brasileiros em 2019!

Gabriel Medina estava “voando” no campeonato! Teve a melhor somatória e a as melhores notas do campeonato, no round 3, contra o convidado Mateus Herdy (promessa brasileira que também foi muito bem, mesmo não tendo experiência no CT). Porém nas quartas contra o sul africano Jordy Smith, não conseguiu pegar as ondas logo no início da bateria, como lhe é de costume, e acabou se perdendo um pouco. Também não conseguiu completar os aéreos de backside, que poderiam ser decisivos. Um quinto lugar também não é um resultado ruim para o bicampeão, que não costuma começar bem as temporadas, são pontos importantes conquistados. No ano passado, quando conquistou o bicampeonato mundial, terminou Gold Coast em 13º.

Agora falaremos do grande vencedor do evento: Ítalo Ferreira (ou devemos chamar de Mítalo Ferreira?)

Ítalo mostrava desde os treinamentos em Baía formosa, sua terra natal, que não viria para brincadeira nessa temporada. Não deu outra! Está conseguindo imprimir uma velocidade impressionante em seus movimentos! Os aéreos saem com uma facilidade incrível, como se fossem simples batidas. Talvez o único aspecto falho, seja o excesso de energia nas baterias. Acredito que existam momentos em que deva segurar mais a prioridade, saber impor o ritmo e usar a competitividade a seu favor é importante, já que no ano passado, Ítalo só não foi campeão pois alternava ótimos resultados (muitas etapas conquistadas) e eliminações precoces (Ítalo foi eliminado antes do ROUND 4 diversas vezes).

Na final , Ítalo encarou o experiente americano Kolohe Andino, e acabou virando nos últimos momentos da bateria, quando o americano acabou deixando passar uma onda, mesmo com a prioridade. Melhor para o brasileiro que mandou um aéreo full rotation e conquistou sua quarta vitória em etapas de CT! A onda (imagem ao lado) ainda foi muito criticada pelos gringos que dizem que foi "overscored" (quando a nota é supervalorizada), mas logo a WSL respondeu com um vídeo comparando os aéreos de Kolohe e de Ítalo na final (o que me fez pensar que a nota de Ítalo foi até pouca ou a de Kolohe havia sido over).

Mítalo vai para a próxima etapa em Bells Beach com a lycra amarela de líder! A mesma etapa de Bells, onde conquistou sua primeira vitória da carreira, no ano passado, numa marcante final que marcou a aposentadoria da lenda Mick Fanning. E ai, será que o potiguar gostou de tocar o sino e vai repetir o feito?


Essa foi apenas a primeira etapa das onze no total! Esperamos uma disputa ainda mais acirrada pelo título do que na temporada passada. Tomara que tenhamos o mesmo final feliz de 2018, com a bandeira brasileira no topo!


Autor: Ricardo Roldan - Resenha do Surf

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