John John Florence vence em Margaret River e abre vantagem na liderança do Mundial - Resenha Pós CT

Brazilian Storm sofre com a mudança do pico para The Box nas oitavas de final e perdem pontos importantes no ranking mundial. Caio Ibelli foi o grande destaque do surf brasileiro na etapa.

A quarta etapa da temporada da Liga Mundial de Surf terminou na última segunda-feira (03) em Margaret River, e novamente não foi um brasileiro o vencedor. É a segunda etapa seguida, na mesma temporada, em que um brasileiro não levanta o caneco. Fato esse que não acontecia desde a perna australiana de 2017, na qual Owen Wright, John John Florence e Jordy Smith venceram as três primeiras etapas.

Ranking WSL atualizado (TOP 5)

Desde então, pelo menos a cada duas etapas, uma era vencida pelos brasileiros. John John ganhou mais uma (sua segunda vitória no ano) e abriu uma vantagem de 5740 pontos para o segundo colocado no ranking, o americano Kolohe Andino, que foi o vice-campeão da etapa. O melhor brasileiro continua sendo Ítalo Ferreira, que está em terceiro na classificação, a 6595 pontos do líder. Não há motivos para desespero, tem muita coisa pela frente ainda no ano, mas é bom nossos candidatos ao título (Gabriel Medina, Filipe Toledo e Ítalo Ferreira) abrirem os olhos porque o bicampeão havaiano veio com tudo para essa temporada.


Falando em nossos candidatos ao título, quem sai dessas 4 etapas na situação mais complicada, é justamente o bicampeão mundial Gabriel Medina, que está a 15265 pontos atrás de John John. Sabemos que na parte final da temporada ele cresce e costuma ter seu melhor desempenho. Mas Gabriel acumulou duas 17ªs posições, sendo que cada surfista tem direito a descartar exatamente dois resultados ruins no final da temporada, ou seja, não pode mais vacilar.

O surfer local Jack Robinson em um dos seus tubos nota 9 em "The Box"

Filipe Toledo mostrou mais uma vez, que em condições de ondas tubulares e pesadas, não tem o mesmo rendimento. Quando o campeonato foi transferido para a mítica onda de “The Box”, já sabíamos que seria muito difícil ele avançar na competição. Ainda mais enfrentando um adversário como o australiano Jack Robinson, que é um dos melhores tuberiders do planeta e surfista local de Margaret River. Foi um massacre do australiano, que fez a maior somatória do evento com notas acima de 9 pontos. Filipe pegou ondas intermediárias, enquanto o australiano se jogava nas maiores da série.


Toledo sabe muito bem entubar, prova disso foi seu desempenho na Barrinha, em Saquarema ano passado. Ou até os tubos que pegou em 2017 no primeiro ano que venceu Jeffrey´s Bay. Mas em ondas mais pesadas, com um risco maior, seu rendimento cai bastante. A semifinal em Teahupoo ano passado não é parâmetro, já que as ondas nessa oportunidade estavam muito aquém do que o pico pode proporcionar. Para ser campeão, descartando ondas como da Polinésia Francesa, ou de Pipeline no Havaí, ele terá que ter um ótimo desempenho no restante da temporada, e pelo menos vencer de 3 a 4 etapas. Tarefa nada fácil, até para um surfista de nível espetacular como é o seu caso.

8,17 de Ítalo Ferreira gerou polêmica.

Ítalo Ferreira mostrou muita disposição e garra, em uma onda que não é fácil para os goofyfooters (pé direito na frente da prancha), e chegou até as quartas de final onde enfrentou o campeão do evento John John. Destaque para seu desempenho espetacular em “The Box” um pico em que não havia surfado antes, e em sua primeira onda fez um tubaço de backside, digno de nota 10, mas que segundo os juízes, valeu 8,17. Vai entender.

Muito constante durante a etapa, Caio Ibelli surfou bem tanto em "The Box" como no "Main Break"

O melhor brasileiro, e um dos destaques no evento, foi Caio Ibelli! Caio passou por nomes como Gabriel Medina, Kelly Slater e Jordy Smith, e só parou na semifinal contra John John, e mesmo assim dando muito trabalho para o havaiano. Caio pegou altos tubos em “The box”, e eliminou um dos maiores especialistas nesse quesito do planeta, o bicampeão do mundo, Gabriel Medina. Na semifinal fez uma dura batalha contra JJ, pegando a melhor onda da bateria, mas acabou derrotado. Teve gente que achou que a nota dessa onda poderia ter sido melhor avaliada pelos juízes. Eu concordo, mas no geral, considerando as melhores ondas, acho que faltou uma segunda nota para o brasileiro vencer a disputa. De qualquer forma, foi um ótimo resultado para Caio, que pulou 11 posições no ranking e agora está na 20ª posição, na zona de classificação para a elite do ano que vêm.


Agora o Tour vai para Saquarema, onde nos dois últimos anos, só deu Brasil! A janela da competição vai do dia 20 a 28 de junho.


Será que voltamos a ter vitória brasileira esse ano jogando em casa?

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