• Fernanda Bahia

Lucas Chumbo vence campeonato inédito de ondas gigantes em Nazaré

Ondulação gigante, susto e, claro, altas ondas. O Nazaré Tow Surfing Challenge finalmente aconteceu e com certeza vai ficar para a história do surf mundial. Confira um resumão de tudo o que rolou no primeiro campeonato de tow-in da história, organizado pela WSL

Após quase cinco meses de muita expectativa, finalmente o dia chegou e o Nazaré Tow Surfing Challenge foi pra água, na manhã desta terça-feira, 11 de fevereiro. Tudo ajudava para deixar o público (que eram milhares no cliff!) muito ansioso para essa competição, que além de ser o primeiro campeonato de tow-in organizado pela WSL, ainda contava com a expectativa de uma ondulação gigante que era esperado e até dita como “o maior swell de todos os tempos” e que deixou uma mancha preta nos mapas de previsão do Atlântico Norte.


Organizada em uma sessão de quatro horas, com um formato de rotação e de prioridade que manteve sempre cinco times dentro da água, cada time teve duas baterias de uma hora para puxarem um ao outro em ondas de tamanhos surreais. Logo cedo pela manhã já víamos que o campeonato seria histórico (e muito diferente dos demais organizados pela WSL).


Melhores momentos Nazaré Tow Surfing Challenge. Video: Reprodução WSL

O brasileiro (e atual recordista mundial) Rodrigo Koxa e o italiano Francisco Porcella desceram duas bombas de tirar o fôlego de todos assistindo no Cliff de Nazaré – e de todos que estavam vendo de casa também.


Mas o destaque mesmo foi para a dupla favorita da competição, os Young Bulls, que contava com as duas promessas (que já são mais que realidade) do big surf mundial: Lucas Chumbo e Kai Lenny. O havaiano de cara pegou duas ondas monstruosas e de extrema técnica, c direito até a um 360º muito bem executado (marca registrada de Kai), que também demonstrou muito controle em uma de suas ondas, quando alcançou uma das velocidades mais altas do evento, 64km/h (segundo a WSL) em uma onda que foi considerada a melhor do campeonato, posteriormente. Chumbo também fez bonito e botou pra dentro sem medo de umas bombas, mostrando que realmente fica muito mais a vontade nesse tipo de paredão, e fazendo parecer fácil.


Mas não era fácil. Eram ondas gigantes que passavam dos 40 pés e até parece que a gente se esquece disso quando assiste...

Um grande susto também foi destaque no Nazaré Tow Surfing Challenge, já no final da competição. O experiente bigrider português, Alex Botelho, se envolveu em um acidente grave, onde em uma falha de posicionamento foi engolido pela onda e arremessado contra o jet-ski de sua dupla, Hugo Vau.


O atleta perdeu a consciência ainda no mar e chegou desacordado à costa da praia, onde recebeu os primeiros socorros e foi encaminhado ao hospital.

O campeonato terminou 10 minutos antes do previsto, devido ao ocorrido.


Até agora a notícia é de que Alex está no hospital, já consciente, mas vai permanecer por um tempo em observação. Fora o susto, voltamos a falar do campeonato e claro, dos demais brasileiros que participaram.


O "Team Brasil" formado pela dupla de Koxa, Pedro Scooby não teve grande destaque no evento. Rodrigo Koxa pegou uma boa bomba no inicio que merecia destaque, fora isso, foram ofuscadas pelas demais duplas. Quanto às mulheres, essas representaram demais! Somente duas foram chamadas para participar do evento: a brasileira e recordista mundial Maya Gabeira e a francesa Justine Dupont, junto com os 17 homens.


A brasileira Maya que chegava como a grande favorita da torcida brasileira no evento, fez dupla com o casca-grossa alemão Sebastian Steudtner, formando o 'Time World'. Os dois mandaram bem no evento e saíram com essas duas BOMBAS, que formam lindos registros (como podem ver ao lado)!


Ao final do dia, os premiados foram escolhidos, por meio de uma votação interna e como já era de se esperar, o Time Young Bulls - o futuro – e presente – do surf de ondas gigantes levou a melhor: Kai Lenny e Lucas Chumbo foram votados como o melhor time do evento. E Kai ainda levou o troféu de melhor onda masculina surfada. No feminino, apesar de Maya ter sido apontada com um grande destaque do evento, foi Justine quem ganhou a melhor onda feminina surfada. O Nazaré Tow Surfing Challenge rolou em condições ideais e parece que valeram a pena os cinco meses de espera desde que a janela abriu, em outubro.


Foi uma competição totalmente diferente do que estávamos acostumados e de altíssimo nível. Um evento de tow-in, com a possibilidade de quebras de recordes mundiais é algo que o público do surf adoraria assistir. E com certeza, as condições do dia trouxeram muita visibilidade à competição.. Entretanto, ainda há pontos à serem ajustados e que ficaram confusos para o público: A formação totalmente aleatória das duplas e o sistema de decisão por votos (que levou a tarde inteira para decidir) foram alguns dos pontos negativos e que deveriam ser repensados para uma próxima edição. De qualquer forma, saldo positivo com um evento cheio de público, altas ondas e, felizmente, um final feliz para o Brasil, principalmente.

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Autores: Fernanda Bahia e João Pedro Braga

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