O CROWD NÃO SÓ INVADIU SUA PRAIA, COMO FLORIU TAMBÉM

O surf feminino cresceu e "crowdeou" o line-up das praias brasileiras nos últimos anos. Escolas de Surf feminino, agências de viagens ou até grupo de amigas nas redes sociais, conheça um pouco dos movimentos que surgiram junto com o #CrowdFlorido que buscaram evoluir cada vez mais o esporte entre as mulheres

Surfar não é fácil, ouso dizer que dentre todos os esportes que já fiz o surf sem a menor dúvida tem sido o mais difícil.

Art: Robinlanei_art

Não depende só de você e da sua dedicação, depende da natureza, muito do nosso psicológico, um dia nunca vai ser igual ao outro, porém me parece mesmo assim que o mercado do surf está em constante crescimento mesmo com todas as dificuldades dessa época de recessão. Podemos talvez culpar a influência de atletas brasileiros que brilham nas etapas do tour ou talvez seja a inclusão do surf como modalidade olímpica, o motivo principal não sei, mas o crowd parece aumentar a cada dia.


O fato é, além de mais curiosos e adeptos ao esporte, tenho notado cada vez mais mulheres na água e isso de certo modo me deixa muito feliz. De olho nesse crescimento e com vontade de inserir cada vez mais as mulheres no esporte, um nicho específico do mercado tem crescido voltado somente a elas: As escolas de surf femininas.

Multicampeã, habilidosa e sempre sorrindo, a australiana Stephanie Gilmore mostra que não há limites para o surf feminino.

Conversando com um dos meus melhores amigos e professor de surf um dia perguntei a diferença entre o ensinar a surfar para homens e mulheres, além das diferenças físicas, ele prontamente me respondeu que quando dá aula para mulheres além de ensinar a surfar, ele foca no empoderamento da mulher pois o ambiente do esporte ainda é muito machista e até um pouco opressor em certos momentos. Em mares maiores, disputando ondas com os homens, às vezes sendo a única mulher do crowd seu maior objetivo é fazer as mulheres se sentirem com o poder de igualdade, saberem que elas são fortes o suficiente e têm o mesmo direito de descer as ondas, é fazer elas mesmas acreditarem em si então não pode haver omissão. No surf é isso, é preciso batalhar pelo seu lugar ao sol. Você que é homem e está lendo isso, pode até não conseguir entender, mas é assim que muitas vezes funciona.


Aqui no Rio de Janeiro, destaco duas escolas de surf voltadas apenas para nós mulheres: A Gaia Surf Feminino e a Brasil Surf Girls. As escolas além de aulas de surf também oferecem trips de surf voltadas para a mulherada. Sou suspeita para falar da Gaia pois sou prata da casa, mas posso dizer que o trabalho se estende não apenas as técnicas do surf mas também ao nosso psicológico, treinos físicos fora da água, skate e em análises de vídeos pois todo treino é filmado (por mim inclusive haha) para saber o que pode melhorar na próxima caída.

Algumas empresas focam apenas nas surftrips entre mulheres como é o objetivo da BBQ - ONLY GIRLS que no site se descreve como pioneira no assunto de surftrip internacional para mulheres, teve início com pedidos de amigas da Bruna Queiroz (surfista e turismóloga) que sonhavam em conhecer ondas de outros lugares.


‘Precursor no Brasil, o projeto de surf feminino internacional prioriza a escolha de destinos tropicais e hospedagens aconchegantes para proporcionar a experiência de uma surftrip exclusiva para mulheres inesquecível, seja na Costa Rica, na Nicarágua, El Salvador ou na Indonésia.’ - BBO - ONLY GIRLS

Ainda no quesito viagens podemos citar também a Gals at the Sea que além de viagens internacionais, fazem viagens para locais de surf no Brasil também. ‘Nós do Gals at the Sea nascemos da união de um grupo de amigas educadoras físicas, instrutoras de surf de longa data, e que compartilham do mesmo amor pelo mar, por viajar em busca de ondas perfeitas, e por ensinar a arte de Surfar.

“A partir dessa união, tivemos a ideia de juntar nossas paixões, criando assim um programa de surf só para mulheres! Além das nossas vivências nos surfcamps terem um grande foco nas aulas de surf, no treinamento técnico, e na evolução das meninas que nos procuram, tentamos trazer pra nossas surf trips o verdadeiro lifestyle do surf”. - Gals of the Sea

Além disso, diversos grupos de mulheres têm se formado pelo Brasil através das redes sociais, seja para combinar o surf, a carona, saber as condições do mar, falar sobre dúvidas no esporte, compartilhar seus medos, frustrações e felicidades, mas eu vou deixar para falar mais a fundo disso um outro dia.


Mas o fato aqui é: Mulheres estão se unindo para se empoderar nesse ambiente que ainda é tão masculino, para apoiar e dar força umas às outras. Temos sonoridade no surf e falo por mim, onde surfar com minhas amigas mulheres é renovador, mágico, é escutar sua amiga comemorando a cada onda, é um grande incentivo e com certeza um dos melhores momentos dentro da água.

(O Surf Feminino vem crescendo tanto que já tem representantes de peso em todas as modalidades do surf mundial! Na imagem acima: Chloe Calmon, Silvana LIma, Tati Weston-Webb, Maya Gabeira, Claudinha Gonçalves e Nicole Paccelli)


O crowd está aumentando, e pode ter certeza que ele é florido. Se você é mulher e não sabe por onde começar para virar surfista (de verdade), fale conosco, mande suas dúvidas, vamos amar ajudar. Ah, meu nome é Thamy, e agora tenho esse nosso espacinho no Canal Surf Storm para falar um pouco mais do surf feminino. ♥

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Autora: Thamy Off

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