Owen Wright vence Gabriel Medina na final e é campeão em Teahupo'o

Em etapa que teve os 2 dias finais como grande destaque, com momentos históricos para o surf, Owen Wright se destacou no dia das finais e venceu Gabriel Medina, que vacilou com a prioridade

Uma das etapas mais esperadas do ano, teve seu desfecho final essa semana. A etapa de Teahupo'o no Tahiti, traz muita expectativa, por se tratar de um local com ondas tubulares pesadas para à esquerda, que quebram numa bancada rasa de coral, com alto risco de acidentes. Nesse campeonato, finalmente as famosas bombas aparecerem, depois dos dois primeiros dias de competição com ondas bem fracas.

Na terça feira, no auge do swell, ondas de 12 a 15 pés mostraram presença e nem todo mundo teve coragem de encará-las, como foi o caso de Willian Cardoso, que admitiu em seu Instagram, que teve medo e precisava de mais preparo e experiência em ondas desse nível. Admirável a postura do Panda, admitindo seu medo e suas deficiências, porém existe o outro lado, um surfista experiente e profissional como ele, já deveria ter se dedicado mais em picos como Teahupo'o e Pipeline no Havaí, onde já passou diversas temporadas. De qualquer forma, parabéns Willian pela humildade da atitude, o que mostra o quão especial é o surf, nem mesmo atletas do mais alto nível as vezes conseguem superar o medo e a natureza, surf é isso, superação, e torcemos pro Panda se superar nos próximos anos.

Enfim, ondas grandes, risco alto, finalmente o pico mostrou as caras e foi um show de surf. O único brasileiro que não chegou ao Round 32 (terceiro round) foi Michael Rodrigues, que dizem, por estar com medo do que estava por vir, deu uma “aliviada” na repescagem. Se isso aconteceu ou não, só ele para dizer. Será que ele admitiria?

O terceiro round foi disputado no ápice do poderoso swell, e uma das melhores baterias, foi entre os brasileiros Adriano de Souza e Ítalo Ferreira. Foi uma daquelas disputas que os dois mereciam avançar. Altos tubos, profundos, em ondas gigantes, com os dois se arriscando e chegando ao limite, uma das melhores baterias da temporada, sem sombra de dúvidas. Mineiro levou a melhor, mostrando atitude e técnica, mas Ítalo mostrou que está preparado para atingir bons resultados em ondas tubulares e pesadas, assim como já tinha feito em "The Box", na etapa de Margaret River. De qualquer forma, foi incrível ver os brasileiros surfando em tão alto nível, e o nosso ex campeão mundial, Adriano de Souza, surfando tão bem assim novamente depois de tanto tempo parado após sua lesão no ano passado.


Outro destaque brasileiro desse round, foi Caio Ibelli que derrotou o americano Conner Coffin, com uma somatória de 17,73, com direito a nota 9,5. Caio, que chegou no Tahiti bem antes do campeonato começar, mostrou que o treino e a dedicação surgiram efeito.

O então líder do ranking, Kolohe Andino, foi eliminado pelo vencedor da triagem, o local de apenas 17 anos, Kauli Vaast, no round 32, dando chances aos brasileiros Filipe Toledo e Gabriel Medina, de assumirem a liderança. O americano estava na liderança da bateria, com a prioridade, e deixou o francês pegar uma onda no inside. Erro que definiu sua derrota (e seria repetido por outros atletas durante a etapa, a prioridade e estratégia foram outro grande destaque de Tchopo).

Já nas oitavas do final, Jadson André impressionou demais! O potiguar fez uma de suas maiores pontuações desde que chegou ao circuito mundial, com notas 8,5 e 9,73 e eliminou o brasileiro Deivid Silva, que por sinal, cumpriu um ótimo papel em seu primeiro evento no Tahiti. Jaddy mostrou que tem intimidade com a onda de Tchopo (inclusive disse que é sua onda favorita no mundo), e fez seu melhor resultado do ano, chegando até as quartas de final, onde seria superado pelo inspirado vencedor da etapa, Owen Wright (sem abaixar a cabeça, porque foi outra ótima bateria).


Adriano de Souza manteve o ótimo nível de atuação nas oitavas e eliminou o francês Joan Duru. Mineiro perderia para Jordy Smith nas quartas, numa bateria bem inconsistente e com poucas ondas de qualidade. A única que veio sob sua prioridade (olha ela ai de novo), acabou deixando o sul africano pegar e tirar a nota 9,23 definindo a bateria.

O bicampeão do evento, Gabriel Medina, mostrou do que é capaz nas oitavas de final, eliminando um dos destaques do evento até então, o americano Griffin Colapinto. Medina fez uma nota 10, ficando muito profundo numa bomba com a cara de Teahupoo e tirando 9,23 em sua segunda nota. Bateria praticamente perfeita.

Filipe Toledo chegou às oitavas com a liderança provisória, devido a eliminação precoce de Kolohe Andino. Toledo mostrou mais uma vez, que tem sérias dificuldades em ondas tubulares de consequência para à esquerda, sendo eliminado pelo havaiano Seth Moniz, que deixou o brasileiro em “combinação”. Filipe ficou praticamente “na boca” dos tubos, não ficando profundo o suficiente para atingir notas altas.


Como já mencionado aqui neste texto, quem tem vontade, dedicação e comprometimento, acaba alcançado resultados. Mineirinho na disputa do título de 2015, chegou um mês antes do campeonato começar no Havaí, e ficou hospedado na casa de Jamie O`Brien, um dos profundos conhecedores de Pipeline. Adriano tinha como melhor resultado em Pipeline, uma nona colocação. Resultado: foi campeão e de quebra foi o primeiro brasileiro a vencer a etapa. Acho que falta um pouco disso para Filipinho.

Fechando a participação dos brasileiros nesse round, Caio Ibelli teve uma apresentação espetacular contra Jack Freestone, O brasileiro somou duas notas acima de 9. Caio só parou nas quartas, quando foi derrotado por Seth Moniz, mas mostrou que merece mesmo uma vaga fixa na elite mundial, onde nos tubos é grande destaque, assim como feito em The Box.


Nas semifinais, o único brasileiro ainda presente, era Gabriel Medina, que superou o algoz de Toledo e Ibelli, o havaiano Moniz. A grande final chegou, e foi uma reedição de 2018: Gabriel Medina x Owen Wright.

Desta vez, para nossa infelicidade, o australiano levou a melhor, em um dia que estava inspirado, e voltou a ser o Owen de antes do acidente de 2015. A bateria final foi bem disputada até os 4 minutos finais, quando Medina, que liderava o confronto e estava com a prioridade e deixou Owen pegar duas ondas intermediárias no inside. Numa delas, o aussie tirou um 9,17 praticamente definindo a vitória. As ondas não vieram para Medina e não havia mais tempo para a virada. Owen finalmente conseguiu vencer em Teahupoo, onde já havia sido vice por duas vezes.


O campeonato agora vai para a piscina de ondas, o Surf Ranch, na Califórnia. Filipe Toledo estará com a lycra amarela, mas terá em sua cola Jordy Smith, Kolohe Andino e o temido Gabriel Medina ,que cresce nesse momento da temporada. A disputa pelo título está mais acirrada que nunca, e longe de sua definição. E ai, pra quem vai a sua torcida?

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Autor: Ricardo Roldan - Resenha do Surf

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