• Fernanda Bahia

Por que o surf feminino 'só' interessa às mulheres?

Desde que eu comecei a acompanhar o surf, inicialmente de tabela por causa do meu irmão e depois por interesse próprio, percebi que o surf masculino é um interesse geral. Praticantes ou não, cada vez mais pessoas estavam assistindo as baterias de Medina, Filipinho e Mineirinho. O aumento no interesse no surf masculino aconteceu principalmente por influência do “Brazilian Storm”. O que é ótimo, claro. O surf crescer é algo positivo para qualquer fã do esporte.

Mas não demorou para eu me incomodar com o fato de que o surf feminino não alcançava o mesmo público. Que a Tati e a Silvana não eram assistidas da mesma maneira que os homens. Que, normalmente, quem demonstrava interesse pelo surf das mulheres eram... mulheres. E daí veio a questão que eu estou levantando no título desse post: por que o surf feminino só é interesse das mulheres?


A Tati (desde 2018) e a Silvana defendem no CT (Championship Tour) a mesma bandeira que os homens. As duas estarão esse ano nas Olimpíadas com o mesmo objetivo de Medina e Ítalo. Então, por que elas não recebem o mesmo apoio que eles nas suas baterias?


Eu já cansei de ter essa conversa, tanto com amigos homens quanto com amigas mulheres. Praticantes ou não do esporte. A resposta é quase sempre a mesma: os homens surfam melhor. Mas, será que é isso? Muitas vezes, percebo homens com menos vitórias, ou até atletas que estão participando só do QS (Qualifying Series) recebendo mais apoio do que a Silvana, que já está há mais de 10 anos no CT defendendo a bandeira brasileira.


É claro que existem vários motivos para esse cenário. E é claro que isso não é uma característica única do surf. Nem uma característica que atinge o público de todo e qualquer esporte. Todos os esportes têm suas peculiaridades e motivações para o feminino atingir mais, ou menos, o público no geral – e, caso queiram, podemos discutir isso em um futuro post. Mas o fato é, essa é uma característica do surf que fica bem clara quando a gente começa a acompanhar o esporte, e que me incomodou bastante.


A pergunta que eu fiz talvez não tenha uma resposta exata. Mas aponta para um objetivo importante: o surf feminino precisa conseguir alcançar a audiência do gênero masculino. É necessário entender que, no final das contas, o esporte é o mesmo. Estamos todas e todos no mar com o mesmo intuito. A Tati e a Silvana têm o mesmo objetivo que todos os outros atletas das categorias masculinas.


Como jornalista, é importante pensar na comunicação como agente desse cenário. Entender como o jornalismo e a mídia no geral têm um papel essencial na mudança dessa situação. Como jornalista de surf feminino, eu mesma sou, portanto, parte dessa mudança. E preciso alcançar o público masculino da mesma maneira que tenho alcançado as mulheres no ManaSurf (meu site de notícias de surf feminino).


Acho que parte do crescimento do surf como um esporte também passa pelo crescimento do surf feminino. E de mais equidade, igualdade e justiça para todos. E que a luta para isso não deve ser só das mulheres, já que o interesse é geral.

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