• Fernanda Bahia

Conversamos com a surfista que sofreu um "ataque" de tubarão essa semana em Fernando de Noronha

No dia 9 de março uma surfista de bodyboard foi mordida por um tubarão, na Praia do Bode em Fernando de Noronha. A catarinense Bruna Cercal, de 28 anos, sofreu uma laceração na perna e panturrilha direita e foi atendida no hospital São Lucas, localizado na própria ilha, onde teve a perna suturada.

Já era o sexto dia dela em Noronha, quando o incidente aconteceu. Bruna estava surfando no final da tarde e foi pegar a última onda. Enquanto saia do mar, já na espuma, ela sentiu a mordida na sua perna direita e sua única reação foi sacudir a pena, e o tubarão soltou. Ela conta que não chegou a ver o animal, apenas uma movimentação na água. Saiu com a ajuda de outros surfistas que logo a encaminharam para o hospital.

Foto: Ana Clara Marinha/TV Globo

Ela conta, inclusive, que nos outros dias que surfou em outras praias, já tinha visto tubarões por perto e que sabia que era necessário o cuidado: “Enquanto surfava, os outros surfistas comentavam que tinham visto tubarões, a nossa conduta era só remar um pouco distante e continuar o surf”. A surfista disse ainda, em entrevista ao Canal Surf Storm, que pretende voltar a Noronha o mais breve possível e que entende que, para ela, Noronha “Não é só surf, é o conjunto de tudo lá que torna a ilha de Noronha tão mágica. Inclusive isso, surfar junto a vida marinha sabendo que existe espaço para todo mundo, desde que com respeito e consciência”.


Para ela, o mais importante é a compreensão de que ali é o habitat natural dele, e que o respeito e cuidado deve vir dos surfistas e banhistas. Segundo ela, “era final de tarde, eles estavam ali procurando alimento. Considero que foi um erro de identificação ou que eu estava passando por algum cardume e ao tentar se alimentar, ele acabou me atingindo”.

Bruna Cercal surfando em Noronha

O início da manhã e o fim de tarde são os momentos em que os tubarões costumam se alimentar, por isso, uma das recomendações que os surfistas e turistas recebem ao entrar em praias com tubarões é a de tomar maior cuidado com esses horários. Em praias de Noronha e de Pernambuco, onde esses incidentes são mais comuns, placas de recomendações e avisos dos salva vidas são algumas das maneiras para evitar esse tipo de problema.


O CEMIT (Comitê Estadual de Monitoramente de Incidentes com Tubarões) afirma que, para que esses incidentes sejam evitados o mais importante é a conscientização e pesquisas sobre o assunto. Esse é, inclusive, o órgão responsável pelas placas e informações de como evitar os incidentes nas praias do Estado.


A conscientização deve partir, nesse caso, da compreensão de que o tubarão está no seu habitat natural e que ele não se alimenta de carne humana. Os incidentes envolvendo esses animais, normalmente ocorrem por reflexo para proteção deles. Além disso, segundo a National Geographic, muitos dos ataques de tubarões a humanos são resultado de ataques “provocados”. Esses são incidentes que ocorrem durante caças submarinas ou quando tubarões ficam presos em redes ou linhas de pesca.


Naturalmente, surfistas costumam ser as vítimas mais comuns dos ataques “não provocados”, quando o tubarão confunde pessoas com suas presas normais, por conta da baixa visibilidade. Segundo a Nat Geo, os surfistas são os que mais se envolvem por conta da localização deles na água quando estão surfando e por serem os que passam períodos mais longos na água.

Vídeo na Praia do Bode mostra como surfistas e tubarões convivem harmonicamente na ilha de Fernando de Noronha


O ISAF (Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões, em português) afirma que os ataques de tubarões são muito mais raros do que imaginamos. Segundo o órgão, em entrevista a BBC, no mundo todo, ocorrem entre 70 e 100 casos por ano, resultando em até 15 mortes. Eles contam que o número de fatalidades causadas por incidentes com tubarões é inferior, por exemplo, a ataque de cachorros. Eles contam que nos EUA, 11 pessoas morreram em decorrência de ataques de tubarões, no período de 12 anos – entre 2001 e 2012 – enquanto 364 foram mortas por cães.


Por outro lado, os seres humanos matam cerca de 100 milhões de tubarões por ano, ameaçando inúmeras espécies do animal. Segundo a National Geographic, esses animais são caçados por suas barbatanas, que são consideradas uma iguaria em países da Ásia.


Os animais também são considerados capturas acidentais por ficarem presos em equipamentos de pesca. Ainda segundo a Nat Geo, os tubarões são mais vulneráveis a entrarem em extinção por se reproduzirem devagar.


Não estamos dizendo que não devemos ser cautelosos ao surfar ou estar no habitat de tubarões, mas sim que não deve ser feito todo esse alarde ou imagem de "grande monstro do mar", afinal, como a própria Bruna falou: "Existe espaço para todo mundo."


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